SÃO PAULO – O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira na 12 ª fase da Operação Lava-Jato. A informação foi confirmada pela Justiça Federal do Paraná. O PT também confirmou a detenção de seu tesoureiro, mas ainda não se pronunciou sobre o caso. Vaccari foi preso em sua casa em São Paulo por volta das 6h desta quarta-feira e está a caminho, de carro, à superintendência da PF em Curitiba, com previsão de chegada entre 11h e meio-dia. A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, foi ouvida na casa do casal, em São Paulo, num mandado de condução coercitiva (quando a pessoa obrigatoriamente depõe). A cunhada do tesoureiro Maurice Correa de Lima teve um mandado de prisão temporária emitido contra ela, mas ainda não foi localizada, informou a PF. Ela mora em São Paulo. Além dos mandatos de prisão temporária, preventiva e condução coercitiva, um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de Vaccari em São Paulo. Em março, a Justiça Federal havia aceitado denúncia do Ministério Público Federal e Vaccari se tornou réu sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Tesoureiro do PT

A casa de Vaccari, no bairro de Moema, na Zona Sul de São Paulo, permaneceu fechada desde a prisão do ex-tesoureiro do PT. A família recebeu a visita apenas da filha do casal, a médica Nayara de Lima Vaccari, por volta das 8h. Os vizinhos falam que o casal é bastante discreto e se mudou para a casa há cerca de quatro anos. O ex-tesoureiro não teria apresentado resistência à prisão.

A PF apresenta, nesta quarta-feira em Curitiba, novos indícios que sustentam a prisão do ex-tesoureiro, como depósitos bancários em nome de Nayara. De acordo com relatório da Receita Federal encaminhado à Força-Tarefa da Lava-Jato, foi detectado um significativo aumento patrimonial entre 2009 e 2014 de Nayara. Neste mesmo período, a filha de Vaccari não declarou nenhum rendimento à exceção de uma bolsa resistente em medicina por dois anos. De acordo com a RF, o patrimônio da médica cresceu de R$ 240 mil para mais de R$ 1 milhão no final de 2013.

Delações de Barusco já apontavam esquema de tesoureiro

O ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, que também é investigado pela Justiça, afirmou em delação premiada que Vaccari recebeu cerca de R$ 200 milhões em nome do PT no esquema investigado pela Lava-Jato. As apurações da PF apontam que as propinas eram pagas por empreiteiras que firmavam contratos com a petroleira.

Segundo depoimento do doleiro Alberto Youssef, R$ 400 mil desviados pelo esquema de corrupção na Petrobras foram depositados na conta de Giselda, em 2008. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal, no ano passado, indicou que Marice Correa de Lima também recebeu dinheiro de Youssef: cerca de R$ 244 mil, que viriam de propina da construtora OAS.

Na última sexta-feira, em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-tesoureiro do PT deu respostas evasivas e repetidas para defender a legalidade das doações eleitorais recebidas pelo partido e negou ter tratado sobre finanças do PT com o doleiro Alberto Youssef e ex-gerente da estatal Pedro Barusco. Os dois são delatores da Operação Lava-Jato e o acusam de ter recebido recursos decorrente de propinas pagas por empreiteiras contratadas pela Petrobras.

No depoimento, Vaccari, no entanto, admitiu ter se encontrado com operadores do esquema de corrupção descoberto na estatal, mas evitou explicar os contatos. Na chegada de Vaccari à sala para depor na CPI, um homem abriu uma caixa e soltou ratos dentro do plenário. O homem foi detido pela Polícia Legislativa e os animais, capturados.

Delatores da Lava Jato afirmaram que Vaccari era encarregado de recolher propina cobrada pela diretoria de Serviços da Petrobras. O diretor na época era Renato Duque, que tinha o ex-gerente Pedro Barusco como subordinado.

Barusco, que decidiu colaborar com as investigações, disse que parte da propina ficava com ele e outra parte ia para o PT. Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-gerente disse que ele e Duque se reuniam com Vaccari em hotéis para tratar da propina.

A Operação Lava -Jato foi deflagrada pela PF em março e 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A última fase da operação foi deflagrada na última sexta-feira e prendeu sete pessoas. Entre elas três ex-deputados federais: André Vargas, Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE).